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14 de março de 2012

A imagem dos gays

Eu ouço muito frequentemente sobre essa tal de “imagem dos gays”. Frases como “por causa das atitudes de certa pessoa (homossexual) é que os gays tem essa imagem” e “fulano, agindo assim, mancha a imagem da comunidade LGBT” são muito comuns. Inclusive entre pessoas que sinceramente não se consideram homofóbicas.
Mas, só o fato de se achar que realmente existe uma imagem, uma idéia “x” de determinado grupo,  já não é preconceito? Quando se afirma uma das frases ali em cima já não se esta caindo nesse tipo de raciocínio? Um raciocínio viciado, quem sabe?
Infelizmente, muitas vezes reforçamos idéias pré-concebidas sem nem notar,  “por força do hábito”  ou por achar que pode, sim, ter um fundo de verdade.  Mas mesmo que tenha esse “fundo de verdade” (e quase sempre tem) rotular as pessoas logo de saída ainda é uma atitude a se manter? É válido? Ou é uma forma de degradar o outro, simplificando-o?
Esse texto se volta para a questão dos gays, mas você pode fazer um exercício e substituir “homossexuais” por  outros adjetivos e tentar reconstruir o a cadeia de pensamentos. Tenho certeza de que vai ser interessante.
Qualquer “qualidade” ou “defeito” independe de orientação sexual
Primeiro, qual é essa tal “imagem dos gays”? Vamos lá, pode falar, sem medo, comigo: são promíscuos, infiéis, nojentos, barulhentos, histéricos, doentes, etc. Juntando todas essas características podemos ter uma boa noção do que muitos consideram o “gay típico”.
O ponto é: gays são pessoas.  E as pessoas, gente, são promíscuas, infiéis, nojentas, barulhentas, histéricas, doentes, etc, etc. Heterossexuais possuem esses mesmíssimos comportamentos. Qualquer “qualidade” ou “defeito” independe de orientação sexual e, independe também de qualquer outra “qualidade” ou “defeito”.  Você pode, e provavelmente já encontrou, uma pessoa meio histérica mas que não era promiscua, por exemplo. Para não entrar , claro, naquela famosa questão de o que pode ser considerado “defeito” ou “qualidade” e para quem.
Mas, quando encontra um gay que não corresponde a esse modelo é porque se trata de um “caso a parte” ou “exceção a regra”.
O grande problema dessas “imagens” é que quando alguém encontra um homossexual que esteja sendo, por exemplo, infiel com seu parceiro, automaticamente ele já taxado com todos aqueles outros adjetivos ruins lá de cima. Para,  ainda levar , no fim, um “tinha que ser viado/sapatona mesmo”.  Mas, quando encontra um gay que não corresponde a esse modelo é porque se trata de um “caso a parte” ou “exceção a regra”.
Eu mesma tenho contato com meia dúzia de gays. Alguns deles são pessoas que amo incondicionalmente e que já fizeram , digamos, muita “bagunça” antes de encontrar alguém para um relacionamento serio e fechado. Isso não parece muito familiar? Ou que ainda não encontraram esse alguém e se deprimem com isso. Outro que é super caseiro.  E mais um que já quebrou o coração de pessoas que gosto e por isso eu o acho um verdadeiro babaca. Sim, é isso mesmo: eu detesto um garoto gay.
É preciso entender que gays são pessoas. E que as pessoas podem e são chatas, desagradáveis ou idiotas mesmo. O importante, porém, é saber que se você não gosta de fulano, que é gay,  não é exatamente pela orientação sexual dele, mas por traços de personalidade que você também não gosta em heteros ou bissexuais.
______
Não posso deixar de compartilhar com vocês isso: escrevi esse texto ouvindo Like a Prayer da Madonna. Muito além da Diva Gay, Madonna ilustra no clipe dessa música o tema do texto, mas focando na questão do racismo. Infelizmente muito atual ainda.

Fonte: http://bulevoador.com.br/2012/03/33622/

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